O medo e o alarme que se sentiu no primeiro confinamento, há um ano atrás, já passou. Hoje sabemos mais sobre o vírus SARS Cov-2, mas estamos longe de saber tudo e de ter a pandemia totalmente sob controlo.

Vivemos mais um período de restrições, relembrando-nos que os cuidados são para manter e não para aliviar. Podendo assim aproveitar esta oportunidade para focar a nossa atenção na melhoria da nossa saúde.

Importa ressalvar que saúde é um conceito abrangente que não se prende apenas com a ausência de doença nem se trata apenas do bem-estar físico. Sendo fundamental apostar não só na alimentação equilibrada, mas também no exercício físico regular e no descanso de qualidade (sono reparador). Estando mais tempo em casa, por força de teletrabalho e/ou de apoio às crianças em telescola, é muito importante ter horários definidos e o dia organizado, reservando 30 minutos para exercício físico. Estes cuidados permitem-nos manter a saúde física, mas também a mental.

Nesta fase, podemos variar mais a alimentação, deixando de parte os snacks mais rápidos e processados que utilizávamos por falta de tempo. A melhoria dos hábitos alimentares passa por termos uma boa relação com os alimentos, encontrando prazer em refeições equilibradas e saciantes, e encarando a necessidade de cozinhar como uma atividade que pode ser divertida e onde podemos incluir as crianças.

O foco deve estar na base da alimentação: ter um bom consumo de água, aumentar o consumo de legumes e frutas, equilibrar o consumo de carne vs. peixe, optar por hidratos de carbono integrais. Isso passa por pequenos-almoços reforçados, por um bom consumo de proteína (que ajudará a manter a massa muscular dos que vêem agora os seus treinos reduzidos, e também os níveis de saciedade), por lanches completos e à base de produtos pouco industrializados.

Mas, não menos importante, é o facto de que estarmos em casa também pode aumentar o consumo alimentar – a proximidade da cozinha pode ser uma inimiga. E nesse sentido é fundamental que, principalmente agora, evite ter em casa alimentos altamente calóricos e pouco nutritivos como os refrigerantes, bolos e biscoitos, chocolates e fritos.

Planear as refeições semanais ajuda na construção de uma lista de compras realista, promovendo idas ao supermercado mais conscientes e sem aquisições “extra”. Com esta estratégia reduzirá o número de vezes que vai às compras, cumprindo assim o dever de evitar deslocações desnecessárias.

Podemos ainda não saber tudo sobre este vírus, mas sabemos (porque já sabíamos) que a obesidade é, após a idade, o segundo maior preditor de hospitalização estando associada a necessidade de ventilação (independentemente de existirem outras patologias associadas). Que este indicador nos relembre da urgência de tratar da nossa saúde. Que este vírus seja a motivação para muitas pessoas tratarem de si, tendo uma alimentação saudável e sendo fisicamente ativas.

Se quer fazer deste momento um ponto de viragem na sua alimentação, se deseja perder peso e ganhar saúde, faça-o da melhor forma: gradual e informada. O papel do nutricionista é exatamente esse: orientar para que as escolhas alimentares sejam informadas, acompanhar e ajudar a gerir as dificuldades, avaliar a necessidade de suplementação, que se pode justificar para a melhoria do sistema imunitário (através, por exemplo, da vitamina D). Sempre com base em evidência científica.

Nutricionista Maria dos Santos